A comunicação social e a espeleologia

Carlos Eduardo (Caê) Martins e Ericson Cernawsky Igual (OvO).

Quantas cavernas descobrimos de fato ao longo de nossa vida espeleológica? Essa frase permite uma reflexão: qual é o percentual de participação da comunidade do entorno à caverna no processo que leva à descoberta no sentido espeleológico? Isso porque a caverna, em outros sentidos, já faz parte da vida daquelas pessoas, ou seja, já é parte da cultura, do patrimônio cultural espeleológico daquele grupo.

Quando saímos das nossas casas com destino a uma caverna nova ou a uma região onde, acreditamos, existe um potencial espeleológico, de antemão, já devemos pressupor um contato com a comunidade. Sejam eles, produtores rurais, quilombolas, posseiros ou qualquer outra forma de vida, a relação terá que ser estabelecida.

Inquirir um morador de uma área próxima de uma caverna deve ser um ato que ao mesmo tempo satisfaça a necessidade do espeleólogo, mas que não perturbe a rotina existencial muito menos crie falsas expectativas naqueles que tão bem nos recebem. São raros os casos de prática espeleológica entre os moradores de áreas próximas a cavernas. Não porque “Santo de casa não faz milagre”, mas pelo fato de que a relação deles com a caverna passa por outro nível de percepção.

Em um sentido mais amplo e, principalmente no contexto atual, a incorporação das formas como a comunidade se apropria culturalmente do patrimônio espeleológico pode ser decisivo ao processo de conservação. A valorização dos depoimentos sobre histórias, lendas, folclores locais, relacionados à existência de uma caverna, ou mesmo algum tipo de uso que, tradicionalmente, se faça dos seus recursos, deve ser levado em conta na definição dos atributos da caverna por parte do espeleólogo.

O espeleólogo deve interagir com o entrevistado e com a comunidade de forma geral. Não no sentido paternalista e nem assistencialista, mas valorizando as formas de existência locais. Uma entrevista deve sempre partir daquilo que é significativo para o interlocutor. Termos rebuscados, científicos ou técnicos podem dar uma impressão de superioridade ou de que aquilo levará a um prejuízo social ou econômico.

O ato de ouvir com atenção o testemunho do entrevistado pode dar mais objetividade à conversa sem incorrer na impessoalidade e secura que sempre são obstáculos à coleta da informação.

Por fim, não nos esqueçamos que a área onde está a caverna sempre pertence a alguém, e para se chegar a ela é preciso entrar pelo portão da frente.

 


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