| Informativo
do Grupo Pierre Martin de Espeleologia Janeiro/Fevereiro - 1992 nº 8 |
| EDITORIAL |
O GPME entrou em seu quinto ano
esquentando os motores para um 92 cheio de atividades. isto mostra o pique e a vontade de trabalhar que, esperamos, continue por todo este ano,
com a nova diretoria. Provando que tudo está azul, vamos dar um mergulho na Gruta Azul e explorar outros mares e buracos como os de Cajamar e da Onç&a Parda. Enfim, curta bastante o seu Q. C. nº 8 e tenha um produtivo 1992! Os Editores |
| UMA PEQUENA HOMENAGEM |
| Paulo Gomes em todas as atividades que a espeleologia abrange, sempre existem aqueles personagens que geralmente ficam ocultos, anônimos ou pouco conhecidos, e cuja importância é tão grande que sem elas , muitos trabaklhos ou descobertas não seriam realizados com o mesmo grau de facilidade ou nem mesmo seriam possíveis ! Dentre estas pessoas, muitos são guias (que auxiliam nas descobertas), pontas de trena (que são fundamentais na topografia), equipes externas (que ajudam principalmente nas atividades de longa duração) e os colegas iluminadores que disparam os flashes e muitas vezes ficam como modelos nas fotografias! Este texto é uma pequena homenagem a essas pessoas, e como minha principal atividade é a fotografia, não posso deixar de fazer um agradecimento especial aos iluminadores, que já tanto colaboraram e colaboram esforçando-se para se posicionarem melhor, mesmo que seja entre blocos abatidos, sentro d'água, em barrancos ou até mesmo pendurados! Isso sem falar na paciêencia que elas têm de ter, pois só quem participou de fotografias de longa exposição sabe bem o "saco" que é! Bem, termino essa homenagem com a certeza de que depois dessa tremenda puxada de saco, essas pessoas vão colaborar bem mais!
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| DE BARCO NA GRUTA AZUL |
| NOVAS SOBRE O PROJETO ONÇA PARDA |
Depois de várias tentativas de
localizarmos alguns abismos explorados pelo "CEU", nós dasanimamos de imaginar
onde procurar, jáque as coordenadas não levam a nada. O resultado da prospecção é um sucesso: Forma descobertos 7 abismos de uma só vez! Mas
a atenção ficou voltada para um deles, que foi batizado de 13 de Agosto. O Treze de Agosto prometia muito e nova viagem foi marcada. Exploramos e topografamos todos os pequenos abismos, enquanto uma outra equipe permanecia a 55m, procurando uma forma de descer ainda mais. Um abismo de condutos de rastejamento, lama e muitos ossos de pequenos animais, trazidos pela água da chuva. Este abismo é técnicamente complicado para descer por não permitir a instalação de "spits" pois o calcário é muito quebradiço, obrigando a fazermos amarrações naturais. O abismo foi explorado e instalado pelo Chiquinho e Wmarley e topografado por Roberto,
Caê e Luciano. A equipe externa resolve pernoitar no paredão, jáque a entrada no "T. A." não era apropriada. Durante a ida para o paredão esta turma descobre mais quatro abismos, mas devido ao avançado da hora resolvem deixar para a próxima. Esta é, porém, outra história, que a onça ainda não viu. Participaram das explorações e
topografia: |
| SUA BÚSSOLA ESTÁ COM DEFEITO ? |
Se você já utilizou uma bússola de boa qualidade e procedência já deve ter notado que o "Sul" da agulha ou disco graduado pende para baixo. Este fato, curioso para um topógrafo se torna muito desagradável, exigindo a cada visada, sutis pancadinhas ou o balanço do equipamento na tentativa de liberar o disco. O resultado é uma topografia mais demorada e talvez mais imprecisa, dependendo da perícia do topógrafo. Mas seria isto um defeito de fabricação? Com tanta certeza, não, já que esta é uma
"doença" que só contamina as melhores bússolas. Deste conceito surgiu a definição das Isóclinas: linhas sobre a superfície daTerra em que a bússola teria a mesma inclinação (v. fig. 2). Nosso país, por estar próximo ao equador se encontra felizmente na região de isóclinas neutras (ME). Mas, infelizmente quem fabrica as bússolas, não. Toda a Europa, os Estados Unidos e Japão estão em região de isóclinas positivas (MN). Para resolver o seu problema, os fabricantes mais conceituados desbalanceiam suas bússolas, ou seja, acrescentam peso no "Sul" de forma que elas fiquem perfeitamente equilibradas. Azar o nosso, porque aqui estas bússolas ficam desequilibradas e pendem para o sul! A solução é enviar sua bússola a uma assistência técnica e pedir que removam o peso
de balanceamento. Portanto, se você for viajar para o exterior, não se esqueça: Leve
sua bússola! Helvécio C. (28/10/91) |
| CAJAMAR |
| Ericson
Chegando ao local dos buracos, uma surpresa: estavam tampados! Segundo o morador local, isto fazia parte da plataforma política do prefeito eleito, sendo que o candidato rival, tinha como objetivo preservar os buracos e transformar o local em parque. Para uma melhor explicação das informações obtidas, preparei um resumo com todas as descrições, o qual se segue: - Edna Rodrigues - primeira habitante contactada. Ela se mostrou aparentemente alucinada
contando uma versão um tanto estranha para a formação dos buracos. Outro morador (não identificado) citou sobre a existência de cavernas no local
denominado Pedreira Gato Preto. Retornando ao centro da cidade, avistei um bar na esquina das ruas D. Pedro I e Rio
Branco, e fiz mais alguns contatos, conseguindo as seguintes informações: Informaram ainda, que fosse próxim à prefeitura e procurasse quem já havia trabalhado na pedreira Pires, de preferência os Srs. Tercílio ou Piauí - marteleiros da pedreira (furadores de rocha) e, pedisse que me levassem até a pedreira e mostrassem algumas cavernas, em que ambos extraiam crsitais (conforme a descrição deles, poderia ser espeleotemas) - porém, de acordo com a descrição será necessário o uso de corda para atingir as cavernas, já que as mesmas estão um tanto elevadas por causa das lavras de calcário. eles também fizeram referência a cavernas na Pedreira Gato Preto. Outros três moradores falaram sobre a Caverna do Morcego, localizada dentro de um sítio de propriedade do Betinho, num local chamado Pedra da Tartaruga dada a semelhança das formas do lugar a uma tartaruga. A Pedreira do Gato foi novamente citada. Obtive a informação também de uma cachoeira - Santa Marta em Porunduva, que segundo eles é muito convidativa a um bom banho! Como podemos ver. o município mostra-se bastante promissor. Porém se todas essas cavidades realmente existem não devem possuir desenvolvimento muito grande. |
| CURIOSIDADES - ESTALACTITES SÃO FURTADAS DE CAVERNA |
| Maria Colla Jan. 92 IPORANGA - A direção do Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (PETAR) denunciou à delegacia de Iporanga, no Vale do Ribeira, o furto de várias estalactites, formações calcárias milenares, do interior da Caverna de Santana. Uma das maiores formações rochosas do mundo. Segundo vigias do parque, o furto teria sido praticado por André Almeida Gonçanves, professor na vizinha cidade Apiaí. Ontem, o professor não foi localizado. Foram retirados pedaçoes de estalactites de até 40 centímetros de comprimento. Estudos científicos comprovam que serão necessários treze anos (?) para que essas formações sejam recompostas, já que elas crescem no interior úmido das cavernas apenas três centímetros por ano. (N do Q. C. - três décimos de milímetro por ano - valor de referência apenas) Segundo o delegado de polícia local, Hamilton Antônio Gianfratti, o responsável poderá pegar de seis meses a três anos de prisão. Segundo testemunho dos vigias Benedito rodrigeus e Joaquim Justino dos Santos, o furto aconteceu no dia 23 de dezembro quando o professor entrou sozinho na caverna, contrariando as regras de visitação que estabelecem o acompanhamento de guias. Posteriormente, os vigias constataram a depredação e não tiveram dúvida em responsabilizar o professor, pois os demais visitantes do dia estiveram acompanhados. A responsável pelo parque, Eida Marisa Salaloli, que acompanhou a formalização da ocorrência, disse a Agência Estado que as denúncias sobre devastação no PETAR ajudarão a coibir os abusos cometidos por turistas. A fiscalização dos 35 mil hectares do parque, que conta com 180 cavernas cadastradas, é feita por apenas 8 vigias. Eida Salaloli afirma que o aumento significativo do número de visitantes - 16 mil pessoas estiveram no PETAR no ano passado - contribui para aumentar também os problemas estruturais do parque. As agressões ao PETAR preocupam especialistas como o espeleólogo Zélio Augusto Vaz de Figueiredo, do Grupo de Estudos Ambientais da Serra do Mar (GESMAR): "Se todo mundo começar a arrancar pedacinho de estalactite como lembrança, as futuras gerações não terão mais acesso às riquezas naturais". O Estado de São Paulo - Jan. 92 |