Informativo
do Grupo Pierre Martin de Espeleologia
Setembro/Outubro - 1991 nº 7 |
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| EDITORIAL |
Pois é, gente: Vamos ter nos dias
15, 16 e 17 de novembro o II EPELEO, e dessa maneira, concretizamos aquela idéia de
união, de confraternização, enfim de troca de idéias entre os grupos de espéleo de
São Paulo e de todo o Brasil!
Aproveitando a ocasião, haverá a assembléia geral de reestruturação da SBE ( que
esperamos não fique só no papel, mas na cultura de cada espeleólogo).
...Por falar em SBE, conversamos com o sócio número 1: Michel Le Bret também
primeiro presidente desta entidade, e apresentamos neste número um pouco de sua
história.
E provando que caverna não aparece só em calcário, um resumo da exploração e
topografia da Gruta do Rio do Peixe em Campestre - MG - Uma gruta de granito!! os editores |
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| PAPO NA
TOPO |
escrito por Caê -
Atenção! Base vinte e sete para base vinte e oito! Distância?
- Três barra dois.
- Ok. Três barra dois.
- Olha. Eu vou tentar quebrar a ponta desta pedra, para que vocês possam passar
facilmente. Tock! Tock!...
- Porra ! Que pedra dura ! O formão não entra nem a cabeça! Acho que vocês terão que
seguir sem mim daqui pra frente.
- Certo Zé Luiz, avise aos outros que nós vamos seguir até onde for possível.
- Tá bom. Até mais então!
Um pouco depois...
- Tudo bem, estou entrando. Pegue
aqui os instrumentos para mim.
- Tá, pode vir, mas tome cuidado com o buraco, logo aqui abaixo da fenda...
- AHH, HUUF, UMMM! Que aperto no saco! (gargalhadas)
- Cuidado, coloque seu pé aqui nesta pedra!
- Tudo bem, estou firme!
Algum tempo depois...
- Ouça só isso! Que barulho é esse?
- Olha lá! Um bando de morcegos!
- Vamos entrar de costas, então!
- Certo, mas como você deu a idéia, vai na frente!
- Não, não! Vamos juntos!
- Olha, vou fazer uma base ao final desta fenda, tá?
- Vai lá.
- Opa! Pera lá. Você ouviu isto?
- Não. Devem ser os morcegos.
- Não. Parecem vozes de pessoas vou dar um berro e veremos se obtemos resposta. Lá vai:
OOOHHh!... (ouve-se ao longe): ooh!
- Quem tá aí?
- Sou eu!
- Eu quem? Paulinho? É você?
- Sou eu sim e aí quem é?
- Vai pro diabo, meu! Onde você tá?
- Na Gruta do Quarto Patamar I !!
- EBA, IUPII, IARRRÚÚÚ!!!
- Mauríciô!
- Fala, Ericson!
- Cara, é chocante! Você me vê?
- Tô vendo, sim! É bem alto aí, né? Caê vem ver. É demais!
- Já estou aí, só vou terminar o croqui.
- Ericson!
- Fala Maurício!
- Localize aí uma base topográfica anterior para tirar uma visada.
- Ok. Vou achar uma rapidinho!
E assim, surge a maior caverna
de granito do Brasil!! |
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| ENTREVISTA
COM MICHEL LE BRET |
Uma ensolarada manhã se estendia
por todo o sertão de Goiás e a pequena vila de São Vicente mais uma vez se agitava com
a visita dos forasteiros. Porta-malas abertos, mochilas pelo chão em meio a uma aparente
confusão de tralhas e idiomas. Enquanto isto, um gravador aprisiona uma voz, um
português ora fluido, ora hesitante, temperado com forte sotaque.
A energia contida em sua pequena estatura, a vivacidade com que seus olhos registram cada
pequeno detalhe, gestos calmos, passos rápidos e equilbrados são testemunhos de um homem
especial. Michel Le Bret com certeza não é um homem comum. Pertence a uma pequena elite
que sem dúvida faz juz a denominação "Espeleólogo". Q.C.: Como você começou na
Espeleologia?
Le Bret: Comecei a fazer espeleologia na França nos anos 50. Tive uma formação
de engenheiro e comecei a trabalhar em Lion que fica numa região de montanha e tinha um
grupo espeleológico ótimo com o qual comecei a sair. Também fiz explorações com um
grupo de escoteiros da França, nos Alpes; na Itália e Austria. Depois minha firma, a
Rhodia, mandou-me a trabalho para o Brasil. Cheguei aqui em 59, casado e com uma filha de
um ano. Procurei saber se existiam grutas no Brasil, e no IGG conheci o prof. Epitácio
Guimaraes. Depois conheci alguns italianos e me informaram que existiam grutas no Vale do
Ribeira. Mas foi somente em 61 que eu consegui fazer a primeira viagem ao Vale do Ribeira.
Fizemos então uma exploração na gruta das Areias. Fiz uma publicação, e o IGG
ajudou-me bastante dando-me informações sobre as grutas e o livro do prof. Krone, o
alemão que explorou a região um pouco antes de 1900. Tomei contato também com o Clube
Alpino paulista, lá conheci o Peter Slavec que era muito jovem (estava com menos de 20
anos). Aos poucos me entrosei com a espeleologia brasileira.
Q.C.: Como surgiu a SBE?
Le Bret: Primeiro eu tomei contato com o pessoal da Escola de Minas de Ouro Preto,
a SEE e convidei-a para conhecer as grutas que havíamos descoberto na região do Vale do
Ribeira. Eles visitaram conosco a Gruta das Areias e depois a Caverna do Diabo, ou melhor,
a Gruta Tapagem, cuja travessia tínhamos conseguido naquele ano. Então fizemos junto com
o pessoal de Ouro Preto o 1º Congresso de Espeleologia. Depois a cada ano havia um
congresso e logo surgiu a idéia de fazer uma Sociedade Brasileira de Espeleologia para
reunir os grupos interessados em exploração, preparar publicações e estabelecer um
fichario das grutas do Brasil. E assim surgiu a SBE em 69. Infelizmente naquele ano sofri
um derrame cerebral e tive que parar e deixar o Brasil. Então meu amigo francês Pierre
Martin foi quem continuou e formou a SBE.
Q.C.:Quais eram as idéias
principais da SBE quando surgiu e o que vocês esperavam dela?
Le Bret: Exatamente como funciona, reunindo todos aqueles interessados pela
espeleologia, quer os esportistas que buscam aventura, que visitam as grutas desconhecidas
e procuram dar conhecimento dessas grutas às entidades científicas interesadas seja de
biologia, geologia, etc.,quer aqueles interessados por um trabalho mais específico. A
idéia era deixar os grupos independentes. Sem isso, não se incentiva a exploração e a
idéia é incentivar a exploração. Para incentivar é necessário deixar os grupos
independentes e até concorrentes! Um vai começar uma exploração, então publica,
escreve que existe uma região interessante que possui cavernas que não foram visitadas.
Então, os outros vão e assim se incentiva a exploração. A idéia é deixar os grupos
independentes, mas reunir todas as informações para que cada um possa ter acesso a elas.
Q.C.: O que você achou
então da divisão de areas de exploração que foi feita em 75?
Le Bret: Para mim é uma questão de ética. O comportamento normal não é
continuar o que outros grupos começaram. Mas isto deve ser feito administrativamente,
não deve ser feita uma separação de áreas.
Q.C.: Com relação a isto
que aconteceu aqui em São Domingos...
Le Bret: Quem veio primeiro a esta região foi a SEE de Ouro Preto. A SEE veio em
70, mas eu já tinha reparado pela bibliografia que a região era muito interessante.
Avisei então o CAP e ao Pierre Martin, que organizou uma visita, mas ele chegou em 71,
quando a SEE já tinha feito explorações no Rio São Bernardo, Rio Palmital e Terra
Ronca. Em 71 vieram o CAP, o Guy Collet e o Pierre Martin. Pierre começou pela gruta mais
próxima de S. Domingos no Rio Angélica, no ano seguinte fizeram a junção
Bezerra/Angélica. Enquanto isso, o Collet começava a procurar grutas na região de São
Mateus mas não encontrou nenhuma entrada porque os sumidouros são fechados.
Em 72 foi encontrada a dolina que dá acesso às diversas cavernas do Rio São Mateus. O
Collet havia convidado para esta viagem o pessoal da USP que depois formou o clube CEU,
Mas foi Guy Collet quem achou a entrada de São Mateus.
Enquanto isso o CAP começou a exploração de São Vicente. Então não houve divisão
das áreas, mas o CEU explorou São Mateus, O Pierre Martin em Angélica e o pessoal do
CEU deixou normalmente o pessoal do CAP continuar e exploração de São Vicente.
"Michel Le Bret há 40 anos
vive a Espeleologia e por sua força e vitalidade muitas grutas ainda serão marcadas por
suas pegadas"
Entrevista feita por Luciano
Klinke em São Domingos em 18/08/91.
Transcrição por Helvécio Carlos.
Nossos sinceros agradecimentos ao Clube Alpino Paulista (CAP) que possibilitou a
participação do GPME na grande expedição "GOIÁS - 91" através dos colegas
Luciano Klinke e Francisco Sarpa.
E... parabéns pela ligação São
Vicente - Craibinha!
Nota da Edição:
As expedições a Goiás pela SBE foram nos anos de 1971, 1972, 1973, contando com outros
(não citados) espeleólogos tanto brasileiros como estrangeiros. Atualmente, Michel Le
Bret preocupa-se em resgatar informações sobre as investidas em Goiás e seus
resultados. |
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| CAMPESTRE
- RESUMO DE ATIVIDADES - GRUTA RIO DO PEIXE
I |
| Ericson Igual (SBE 222): O interesse pelo minicípio e do seu suposto
potencial, basicamente iniciou quando analisava a publicação do IBGE: "As grutas de
Minas Gerais", de 1939, em qual há uma descrição sumária sobre o Rio do Peixe, a
qual se segue:
Situadas à margem do Rio do Peixe, em terrenos da fazenda deste nome, de propriedade
do Sr. Cândido Ribeiro da Silva, no distrito da cidade de Campestre.
O Rio do Peixe, ao atravessar os terrenos da fazenda que tem seu nome, percorre um trecho
muito interessante, pela singularidade dos acidentes que apresenta.
em seguida há um represamento natural, as águas já bastante volumosas do rio, penetram
em um sumidouro aberto na rocha, indo surgir a superfície cerca de 500 metros além.
Consta que nos rochedos calcáreos existentes na região encontram-se diversas lapas e
grutas, algumas das quais possuindo galerias bastante profundas.
De posse destas informações, iniciei uma breve pesquisa sobre a região, e o ponto
inicial foi adquirir um mapa regional e procurei saber algo mais sobre a geologia local, e
foi com o geólogo Ivo Karmann que obtive as primeiras informações, quando o mesmo
adiantou que desconhecia a existência de calcário naquela região, considerando até
muito estranho. Porém a descrição do IBGE era tão tentadora que resolvi arriscar.
Sábado, 11 de agosto de 1990, após um ano de planejamento, a viagem tem sua saída as
7:00 da estação Barra Funda com dois entupidos e azarados Passats. Num estavam
Helvécio, Eu, Luciano, Marcelo e Marcos Xavier. No outro, Maur&icautecio, Xisto (Luis
Claudio), Paulo, Iha e Wmarley.
Após 320 Km chegamos a Campestre, pequena e acolhedora cidade localizada próximo a
Poços de Caldas, que além de muito bonita e conservadora possui população exemplar.
Nosso guia oficial é o soldado aposentado Milton, o figurão espeleológico da cidade,
segundo o qual a área não era muito promissora.
Chegando no Rio do Peixe a esperança já estava com a alma encomendada, com um volume de
água relativamente grande e extremamente ácida, a única rocha que se via era de
granito, mas como ainda era necessária uma pequena caminhada, a esperança tinha
possibilidade de melhora, visto que o seu quadro clínico era grave, mas recuperável.
- É ali... indicava o soldado. O espanto foi geral. Tudo como descrevia o IBGE, só que
nada de calcário. A rocha é o granito! Sumidouro, represamento natural, tudo batia com a
descrição. O Rio percorria todo o seu trajeto sob diversos matacões, e ressurgia
dezenas de metros à frente, tornando a sumir e ressurgir várias vezes; tudo era
simplesmente impressionante!
O soldado mostrou o que conhecia, apenas quatro cavidades, em que a maior não excedia 30
metros. Retornamos para a cidade para levar o soldado, e durante o resto da tarde iríamos
tentar conhecer as cavernas da Serra do Bicho, deixando o domingo para topografar as
grutinhas do Rio do Peixe.
Mais 12 e agradáveis quilômetros e lá estávamos na Serra do Bicho, minicípio de
Botelhos.
Já era noite, estávamos ao pé de uma imensa rocha granítica, com uns 200m por 50m, com
uma inclinação média de 40 graus e não encontramos nada, quando resolvemos pedir
auxílio ao seu Né (morador local), continuando sem sucesso.
Seu Né contou-nos uma lenda da Serra do Bicho:
Certo dia, uma menininha desconhecida andava pela serra quando o Curupira atacou-a e
levou-a para a toca devorando-a sem piedade, a partir desse dia a toca, que servia de
abrigo a caçadores e viajantes, passou a ser assombrada e todos que tentavam alcançá-la
nunca conseguiam. e "seu" Né completa: A toca do Bicho está toda cheia
de cabelos de menina, só que ninguém nunca viu.
Domingo, 12/8, mesmo indo dormir as 6:00 da manhã (não disse que a cidade era
acolhedora?!), acordamos pontualmente as 8:00 para topografar as grutinhas, enquanto uma
equipe procurava e encontrava a Toca do Bicho I e II, ambas de pequenas dimensões, e sem
os cabelos.
A primeira e única a ser topografada foi denominada Gruta do Rio do Peixe I. Logo após o
sumidouro quase impenetrável, tivemos uma surpresa, onde se esperava no máximo 30
metros, prosseguia entre os matacões e depois de três horas de bases que reramente
ultrapassavam 3 metros atingimos mais de 120 metros!
A gruta do Rio do Peixe I é toda formada por matacões e o volume total do rio percorre o
seu interior tornando-a extremamente perigosa e esportiva em determinados pontos, onde era
necessário o auxílio de uma corda para não ser arrastado pela forte correnteza.
Lá estão localizadas ainda a Gruta do Peixe II e III, e a toca do Morcego.
Está sendo desenvolvido um trabalho específico sobre a região sul de Minas Gerais, em
que Campestre está relacionada, entre os 26 minucípios que têm a possibilidade de
existência de cavernas, tendo como base a publicação de 1939, além de outras
referências.
Vale a pena lembrar que o interesse por esta região além da exploração e topografia,
tem como objetivo o resgate histórico dos dados reunidos pelo IBGE.
Outro aspecto que considero interessante estaria relacionado ao fato do engano com a rocha
e que inesperadamente combinou com outro trabalho em desenvolvimento pelo GPME sobre
grutas de granito. |
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| E A ONÇA SAIU DA TOCA... |
| escrito por Ery e Hilda O grupo partiu logo de manhã daquele dia 13
de agosto, rumo ao Paredão da Onça Parda, com o pressentimento de que aquele dia seria
um dia diferente.
Próximo a um pé de Picalú ( O S. Didi sabe a origem do nome) na região da Batalha,
descemos aproximadamente uns 150m abrindo uma trilha em direção a uma região com
vários afloramentos de calcário. localizamos o primeiro abismo nessa dolina e logo
após, o S. Didi chamou insistentemente. Qual não foi nossa surpresa quando surgiu uma
gruta com uma boca de aproximadamente 5m de largura por 3 de altura, lembrando a Morro
Preto em miniatura.
Logo, de lanterna na mão começamos a explorar o novo achado. Não havia marcas ou
pegadas no chão ou nas "couve-flores" (com as quais as paredes eram forradas).
Adentramos pela gruta e chegamos a um "salãozinho". Depois localizamos um
conduto lateral e, arrastando-nos pela argila, chegamos a um conduto lateral com várias
ossadas de animais como cotia, paca e gambá.
Mais a frente, havia um trecho com desnível razoável e resolvemos continuar a
exploração em outra oportunidade. Mas com o facho de nossa lanterna, víamos que a
"coisa" continuava, chegando a uma fenda! E depois o que haveria?
fizemos as devidas anotações para podermos retornar ao local e retornarmos à trilha da
Onça Parda, encontrando o S. Didi mais adiante naquela altura, ninguém mais segurava o
homem, que não parava de vasculhar a área e acabou em mais dois abismos.
Resolvemos então, retornar e, nem é preciso dizer que a alegria era tanta que nem
ligamos para a trilha escorregadia. No total forma encontrados 4 abismos e uma gruta.
Treze de agosto, dia de azar para muitos, mas certamente de muita sorte para nós!
Obs. Foi a primeira prospecção da Hilda, que nesse dia resolveu entrar para o GPME. Já
retornamos para essa área e constatamos que a gruta é mais um abismo de desenvolvimento
bem razoável! Mas isso, o Roberto conta depois!...
Não percam nos póximos números
maiores detalhes sobre esta "gruta" que acabou por ser chamada de "Abismo
13 de Agosto". |
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| CURIOSIDADES
- AVENTURA NO FUNDO DA TERRA |
| Cavernas 2 mil metros sob o
solo desafiam a coragem de explorador BALTIMORE, EUA - Um engenheiro de Maryland está planejando fazer uma
expedição, ano que vem, ao fundo de um platô de 1981 metros de profundidade, no
México. Se tudo ocorrer de acordo com o planejado, Willian Stone e 11 colegas,
especialistas em caverna e mergulhadores, vão viajar mais de uma milha sob a superfície
da Terra, numa profundidade nunca antes atingida por ninguém, enfrentando paredes lisas e
quedas d'água.
Stone vem estudando o platô, chamado Huautla e localizado a cerca de 270 quilômetros a
sudoeste da Cidade do México, desde que era estudante, na década de 70. O engenheiro
especializou-se em projetar pontes resistentes a terremotos. Stone afirma que ele e sua
equipe serão os primeiros exploradores do platô.
Quando descobriu que um rio subterrâneo tornaria a exploração impossível sem
equipamento de mergulho sofisticado. Stone foi à luta e desenvolveu seu próprio
equipamento, controlado por computador. As unidades de reciclagem de oxigênio dão
autonomia de 12 horas sob a água. Segundo ele, o equipamento foi projetado para ser mais
seguro e mais duradouro que os dos astronautas ou dos mergulhadores da Marinha americana.
Os exploradores dizem que querem descer o platô e mapeá-lo por causa do gosto pela
aventura e pela chance de quebrar o recorde mundial de exploração subterrânea. Mas a
exata localização do rio subterrâneo também vai significar estoques complementares de
água para uma tribo de índios que vive nas proximidades.
Enquanto estiverem descendo pelas paredes das cavernas subterrâneas, os aventureiros
terão que lavar suas roupas com uma solução iodada, para evitar ploriferação de
fungos. E para matar bactérias que entrarem em contato com suas peles terão que tomar
banhos de luz ultravioleta. Se o rio correr por mais de quatro quilômetros sem encontrar
nenhuma gruta seca, eles temem ter que desistir, por causa da ausência de ar. "Realmente
não sabemos com precisão o que nos espera", disse Stone. "Mas acho que
grandes grutas secas nos esperam".
A NASA planeja aproveitar a empreitada para conduzir teste psicológicos para estudar os
efeitos nos exploradores da privação de luz solar. A respeito disso já se sabe, por
exemplo, que depois de três dias na escuridão as pessoas tendem a estabelecer
naturalmente uma rotina de 50 a 60 horas de trabalho seguidas por longas refeições e
períodos de sono de 24 horas seguidas.
A expedição está sendo financiada por várias empresas ao custo de US$ 2 milhões,
além do preço dos equipamentos e serviços. Todos os exploradores - três ingleses, dois
mexicanos e sete americanos - sabem perfeitamente que se algo sair errado, não haverá
quase nenhuma possibilidade de serem salvos. A expedição tem duração prevista de dois
a três meses. |