| Informativo
do Grupo Pierre Martin de Espeleologia Março/Abril - 1991 nº 5 |
| EDITORIAL |
| Mais um número e novamente este
espaço é preenchido com o objetivo de informar, atualizar, unir, trocar idéias e é
lógico Espeleologar!! Fazemos isto no âmbito mais próximo do que praticamos, e encontramos um sentido, algo que nos atrai inconscientes e consome gradativamente parte do dia-a-dia. E logo estamos querendo fazer espeleologia 25 horas por dia e desejando até mais! Da mesma forma, o Quebra Corpo atingiu seus objetivos e chega ao próximo número no seu 1º aniversário. Para tanto, além de completar um ano de existência, o Q. C. conta com todos que se sentem como nós para torná-lo ainda mais especial com direito a língua-de-sogra, champagne, confetes e o mais importante: Um bom conteúdo! Os Editores |
| DESABAFO... |
| A vida continua intensamente. Na floresta, os sons, os bichos e sentimentos mágicos se entrelaçam por entre cipós, raízes, meandros e caminhos subterrâneos... O
grito da Araponga anuncia a morte. E a gente humilde Maurício de Alcântara
Marinho, 1990, |
| CURIOSIDADES... |
| Em seu livro "Viagem ao Centro da Terra", do século passado, Julio Verne descreve uma
caverna que jamais foi (ou será) visitada, mas que sua mente criativa foi capaz de
conceber com detalhes e até um certo realismo. O livro é narrado em 1º pessoa e trata de uma expedição ao centro do globo protagonizada por dois aventureiros: um cientista ( que tem resposta para tudo) e seu sobrinho ( que pergunta tudo). A aventura os leva a mais de 16 léguas* de profundidade e passeiam em galerias de granito sob o oceano Atlântico. A descrição é recheada de termos científicos e geológicos (considerando as hipóteses formuladas pelo próprio autor, na tentativa convincente de tornar real sua estória. Vale a pena transcrever aqui trechos em que os aventureiros encontram um mar subterrâneo, onde fenômenos elétricos no ar, produziam iluminação tamanha que se assemelhava ao mar da superfície durante o dia: "(...) Meu olhar podia vagar ao longe por aquele mar, porque uma claridade especial iluminava os mínimos detalhes. (...) O poder de iluminação daquela luz, sua difusão vacilante, sua alvura clara e seca, a pouca elevação da temperatura, seu brilho superior ao da lua, acusavam evidentemente origem elétrica. Era como a Aurora Boreal, fenômeno cósmico contínuo que enchia aquela caverna capaz de conter um oceano. (...) O efeito era principalmente melancólico. Em lugar de firmamento refulgente de estrelas, sentia acima daquelas nuvens uma abobada de granito, que me esmagava com todo o seu peso. O espaço, porém não seria suficiente por mais imenso que fosse a trajetoria do menos ambicioso satélite. (...)Quanto à largura, devia ultrapassar várias léguas*. Onde aquela abóbada era apoiada sobre seus contrafortes de granito, a vista não podia perceber. (...) A palavra caverna não reproduz perfeitamente meu pensamento para descrever o imenso local. Mas as palavras da língua humana não são suficientes quando se aventura nos abismos do globo. (...) Se a gruta Guachara, na Colômbia, visitada por Humboldt, não havia revelado o segredo de sua profundidade ao sábio que a pesquisou por mil e oitocentos metros, não era verossímil que se estendesse muito além disso. A imensa caverna do mamute, no Kentucky oferecia proporções gigantescas, já que sua abóbada elevava-se a cento e setenta metros acima do lago insondável e fora percorrida por viajantes por mais de dez léguas* sem que se encontrasse seu fim. Mas o que eram aquelas cavernas comparadas com o que agora eu admirava, com seu céu de vapores, suas irradiações elétricas e o vasto mar encerrado em seus flancos? Minha imaginação sentia-se impotente ante aquela imensidão (...)" Estraído do livro de Julio Verne
"Viagem ao Centro da Terra" - Editora Matos Peixoto S.A, RJ, 1965 |
| PROJETO ONÇA PARDA |
| Roberto Rodrigues O vale do Rio Ribeira de Iguape abriga uma
das mais importantes províncias espeleológicas do Brasil, atualmente com mais de 200
cavernas conhecidas, sendo que muitas das mais importantes ainda não possuem qualquer
documento que comprove sua existência e forneça subsídio para sua proteção. Veja -
Expedição Onça Parda . |
| A DESCOBERTA DA GRUTA DO MORRO PRETO UM E MEIO |
| Roberto Rodrigues Eu e Ericson acabávamos de topografar a
trilha que dá acesso ao Morro Preto e resolvemos procurar o Rogério, Xisto e as
Cristinas que logo cedo haviam partido à procura da Gruta do Morro Preto II (que foi
mencionada por Krone em 1898, e
ainda não reencontrada). "Documentar é bom para relembrar." |