Informativo do Grupo Pierre Martin de Espeleologia
Julho/Agosto - 1990 nº 1

 


EDITORIAL
A realidade é uma só, aqueles que produzem, que se aplicam, acabam se envolvendo, se desenvolvendo, evoluindo, crescendo, este é o presente que vivemos no GPME. Começamos a pouco mais de três anos com algumas pessoas (espeleólogas talvez) inexperientes, porém dedicadas, crentes em um único objetivo: atingir o melhor nível em atividades espeleológicas. Atualmente, quando no fechamento desta primeira edição, estamos com mais de trinta sócios, entre topógrafos, geoólogos, geógrafos, fotógrafos, etc., diversos nas nossas formações e pensamentos.
Assim sendo, a criação deste boletim "gepemeano" passa a ser um espaço em que todos nós poderemos colocar nossos pontos de vista, nossas críticas e idéias, além das técnicas e atividades espeleológicas.
Desta forma, pretendemos que este boletim se torne, além de um órgão de divulgação e registro das nossas atividades, a promoção e maior intercâmbio de informações entre os membros do grupo .

Dedicamos este informativo ao espeleo-amigo Rogério da Silva Crysostomo (in memorian) , O Pai do GPME.

Os Editores

UM POUCO DA NOSSA HISTÓRIA

Tentamos fazer espeleologia em outros grupo, mas infelizmente não deu certo.
Uma carta e um contato telefônico, aproximaram o grupo Quatá de espeleologia ao grupo Antodite (amor a primeira vista), ganhamos também um espeleólogo individual. Esta equipe, em companhia do Sr. Joaquim Justino dos Santos, saiu em prospecção na região da Onça Parda, onde fizemos nossa primeira descoberta de cavernas.
Para os integrantes da expedição, este grupo agora formado não poderia deixar de existir. Em frente a Gruta Quatá, que acabara de ser explorada e topografada, a equipe decidiu que a partir de então, seria conhecida como Grupo Pierre Martin de Espeleologia - G.P.M.E., uma homenagem ao Dr. Pierre Martin, que muito nos transmitiu de seus conhecimentos e idéias espeleológicas.

O G.P.M.E. nasce e seus ideias começam a surgir na iniciativa particular de cada membro da equipe.
Não somos ligados à instituições educacionais ou políticas. Nós somos a instituição G.P.M.E., democrática e livre, em qual cada espeleólogo pode escolher sua atividade preferida e se dedicar a ela com o apoio dos outros membros.
Não aceitamos, porém que as pessoas não preparadas para um determinado assunto tomem decisões que possam interferir ou prejudicar qualquer vida ou estudo no que diz respeito a cavidades naturais.

Assim, decidimos uma das formas de o grupo contribuir na preservação e proteção do patrimônio espeleológico, é desenvolvendo atividades de exploração, topografia e fotografia, em que acreditamos estarmos próximos da especialidade.

Várias outras pessoas se aproximaram dos ideais. Vivemos muitas aventuras juntos,muitos momentos de alegria e comemoração. Festas não faltaram! Também não poderíamos deixar de mencionar a grande família que formamos.
O grupo cresce a cada reunão. Não sei até quando teremos estrutura para absorver bem todas estas pessoas maravilhosas que trazem seus grandes ideais. Mas uma coisa podemos garantir: Tudo o que estiver além dos limites do grupo, nós tentaremos fazer.

Roberto Rodrigues


ESPELEÓLOGO !? EU NÃO!

Um dia agente acaba entrando numa caverna. Nos primeiros metros, descobrimos que não é nada daquilo que havíamos sonhado. Aparece a sensação do frio e os olhos custam a acreditar no que estão vendo. Logo vem a sensação de bem estar e a descompreenção daquele mundo tão estranho lá fora. Parece que tudo foi feito harmoniosamente. As agarras estão no lugar certo, basta encontrá-las. Os pés estão molhados e nós nem havíamos sentido. A imaginação anestesia alguns sentidos, as pupilas dilatam-se e a visão dá uma descarga de beleza em nossas mentes. As "flashadas" brilham as formas mais longínquas, quase gravam em nosso subconsciente lembranças de coisas que não conhecemos. (você acaba de ser contagiado pelo vírus espeleológico!).

A gente pára e começa a pensar o que seria das nossas vidas sem esta overdose. Então decidimos voltar muitas vezes para conhecermos tudo. Passam-se anos e conhecemos só algumas; descobrimos então que levará a vida toda. Logo as cavernas ganham vida em nossas vidas e passam a ser protegidas como se fossem parte do nosso sentido de ser. (o vírus já tomou conta do seu corpo!).

Tem que passar horas com as roupas molhadas, comer coisas que parecem rações e ainda dizer que está gostando! Tem que saber andar no mato e ouvir aquelas músicas de sempre. Tem que saber nadar e não reclamar de tomar banho gelado!!

De repente, ouve-se falar de aparelhos que sobem e descem. Logo, você se vê pendurado numa corda sem saber o que fazer!!! Aí aparecem uns doidos que querem medir a ceverna de ponta a ponta. Logo você se vê com a ponta de trena na mão!!!! Parece que nunca acaba!

A mochila pesa 15 Kg, mal dá para andar. Depois de muito tempo, alguém grita: uma caverna !, aí você entra e sente que foi a primeira pessoa que ali esteve!

Não tem mais cura, você é um espeleólogo!

Roberto Rodrigues